Jardinagem e Manutenção de Espaços Verdes

Copyright ©2018

O Curso de Jardinagem é, na sua essência, prático. A sala de aula é substituída por um magnífico jardim e está sujeita às condições climatéricas. As aquisições são feitas usando o corpo, mexendo, consumindo energia. Bom para indivíduos, para os quais estar sentado e concentrado numa cadeira a ouvir o debitar de matéria é uma tarefa difícil.

O curso pretende integrar indivíduos com incapacidades no mercado de trabalho. Mas, para tal, é necessário dotar esses mesmos indivíduos, não só de capacidades técnicas de jardinagem, mas também, e acima de tudo, trabalhar skills pessoais e sociais para uma melhor integração na sociedade no seu todo.

Passamos muitas horas que a realizar tarefas que puxam pelo físico, varrer, mondar, cortar, podar, sachar, por exemplo. Durante as quais existe tempo para serem abordados temas importantes para o desenvolvimento integral. Falar abertamente sobre relações pessoais e relações amorosas, tema recorrentemente trazido pelo grupo, ajusta comportamentos e desmistifica dúvidas. Abordar temas de cultura geral, música, cinema, serve para aumentar os conhecimentos, mas também estimula a comunicação, fomenta a expressão e o respeito de opinião.

A hierarquização de funções, primeiras tarefas nas quais usam apenas as mãos (monda manual), depois o uso de ferramentas simples (vassouras, ancinhos, enxadas), e por último equipamento motorizados (corta-relvas, corta-sebes, roçadora), não se prende só com a constante avaliação de capacidades e consequente segurança dos formandos, como mantem acesa a chama da motivação, desafia para a superação pessoal e permite trabalhar a gestão de expetativas e frustrações.

Iniciar o dia com o ritual de vestir as jardineiras e calçar as botas de biqueira de aço, bem como terminar a tarefa com o voltar à roupa civil é uma questão de segurança. Mas acima de tudo, é também, a altura em que se trabalha a imagem pessoal, se fala de hábitos de higiene e várias vezes se esclarecem dúvidas sobre o próprio corpo.

O grupo é muito heterogéneo, as capacidades díspares e até o comportamento são diversos. Forçosamente, trabalha-se a tolerância, a solidariedade e o respeito pela diferença. As tarefas solicitadas a cada formando não são iguais, pois dependem das capacidades. Isso implica muita flexibilidade e imaginação do formador. É necessário lidar com frustrações e incompreensões, ao mesmo tempo que se estimula a superação pessoal e se vão criando metas individuais.

As atividades que acontecem nas instalações de parceiros, como o IKEA, servem para simular uma prática profissional. Implica lidar com outros profissionais (colegas), que não trabalham na área da deficiência, ser abordado por clientes, responder a solicitações e tarefas, entre outras coisas. Neste contexto, as vontades próprias, os medos, os “dias não”, não devem acontecer. Mas o orgulho, a autoestima e a felicidade saem reforçados sempre que se termina a tarefa com êxito. É fácil provar que são capazes e que podem ser úteis, quando é a sociedade a dizer, quando são os “outros” a confirmar.

Formar pessoas é um desafio e uma responsabilidade. Deve ser encarado com muita responsabilidade. Mais do que as matérias lecionadas, o exemplo marca de forma muito mais profunda. Isso implica assumir a árdua tarefa de ser um bom exemplo em tudo o que fazes ou dizes, justificar tudo o que fazes menos bem, ser honesto e verdadeiro e acima de tudo respeitar os formandos.

Texto da autoria de: Armando Ferreira, formador do curso de Jardinagem e Manutenção de Espaços Verdes

 

Atualizado em 22-Fev-2019 | Partilhar:

Entre em Contacto

Telefone (+351) 214 724 040
Email: info@afid.pt
R. Quinta do Paraíso, Alto Moinho
2610-316 Amadora, PORTUGAL

Livro de Reclamações
(Email: fundacao@fund-afid.org.pt)

2019 ©

Rodapé PT

Fundação AFID DiferençaTermos LegaisSiga-nos no FacebookCanal YouTubePerfil TwitterSiga-nos no InstagramSiga-nos no LinkedIn
 
Certificações