A música é, provavelmente, a linguagem mais universal do nosso planeta. A ela recorremos quando queremos cantar, tocar ou ouvir música. Mas será ela só performance, diversão ou expressão artística?
Depois da 2.ª Guerra Mundial, a música deixou de ser um mero entretenimento. Alguns artistas passaram a utilizar a sua prática musical para estimular a recuperação de diversos doentes hospitalares nos Estados Unidos da América. A partir desse momento, e face aos resultados positivos adquiridos posteriormente, a Musicoterapia foi cimentando conhecimento e reconhecimento.
Para que algo novo se implemente numa sociedade, é necessário que se criem critérios que definam o novo conceito que surge. Por isso, é que uma sessão de Musicoterapia é diferente de uma aula de música. Num âmbito escolar/cultural, a aula de Música pretende passar conhecimento através da aprendizagem de um instrumento ou da formação musical. Por outro lado, a Musicoterapia tem como principal objetivo estimular o cliente ou grupo de clientes (grávidas, crianças, jovens e adultos) a adquirir maior conhecimento físico e emocional, de forma a melhorar a sua qualidade de vida. Os participantes podem ou não possuir competências musicais.
Ao longo do tempo, pudemos constatar os resultados obtidos com diferentes populações (autistas, grávidas, idosos com demência, doentes de avc, doentes psiquiátricos, bebés prematuros, crianças com défice de atenção, entre outros):
– Alteração da frequência cardíaca;
– Diminuição da dor e da ansiedade;
– Melhoria da qualidade do sono;
– Ressegnificacção de lembranças;
– Expressão de emoções e perceção da realidade;
– Favorecimento do equilíbrio interno;
– Melhoria da relação entre mãe e filho;
– Aumento da capacidade de verbalização;
– Desenvolvimento da capacidade de socialização;
– Progresso da capacidade motora ao nível dos membros superiores e inferiores.
Com o passar dos anos, a Musicoterapia tem vindo a ganhar destaque em Portugal graças ao trabalho desenvolvido por técnicos de Musicoterapia e por musicoterapeutas certificados, mas também pelo trabalho desenvolvido pela Associação Portuguesa de Musicoterapia (APMT). Atualmente, a profissão do musicoterapeuta não é reconhecida oficialmente em Portugal, o que leva ao desfavorecimento das condições de trabalho do terapeuta e ao atraso da profissionalização. Todavia, muitos são os espaços onde o terapeuta tem a possibilidade de trabalhar: escolas, hospitais, lares, infantários, clínicas e centros de atividades ocupacionais.
O caminho feito até agora mostra que esta terapia tem muito para evoluir, mas é merecedora de uma maior oportunidade de crescimento e mais valorização de todos.
Texto da autoria de: Margarida Arcanjo, Musicoterapeuta
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