Os primeiros mil dias da criança – desde a fecundação até o segundo aniversário – são um período crítico e decisivo para o seu desenvolvimento e irão ter impacto direto na sua infância e idade adulta. A maior parte do desenvolvimento cerebral acontece nesta fase e o corpo precisa de macro e micronutrientes adequados para que isto ocorra da melhor forma possível. Por outras palavras, a saúde e o paladar da criança são influenciados desde a gestação. Vários estudos mostram que o que a mulher come durante a gravidez é facilmente detetável no seu líquido amniótico, levando o feto a desenvolver uma preferência natural por sabores familiares. O mesmo acontece durante a amamentação, pelo que é importante tentar fazer boas escolhas e variar bastante o menu da mãe, de modo a permitir que o bebé tenha contacto com um maior número de odores e sabores.
Quando a criança inicia a alimentação complementar, a premissa mantém-se: oferecer uma grande variedade de alimentos saudáveis durante esta etapa, dando assim oportunidade de se adaptar a diferentes sabores e texturas, desde cedo. Esta diversidade irá ajudar o bebé e a criança a desenvolver o paladar, mastigação e deglutição e irá aumentar a probabilidade de, no futuro, aceitar com maior facilidade novos alimentos e seguir uma alimentação rica e variada sem problemas.
Além disso, uma alimentação saudável diversificada ajuda a reforçar o sistema imunitário, a otimizar as capacidades metabólicas e melhora a saúde intestinal.
É essencial que se evite, ao máximo, oferecer produtos com açúcar adicionado. Grande parte dos hábitos alimentares consolidam-se até perto dos três anos, é uma fase de descoberta e oferecer açúcar não só vai camuflar o real sabor dos alimentos, como vai sabotar o processo de introdução alimentar e tirar o interesse do bebé por alimentos saudáveis.
Os hidratos de carbono simples, como os açúcares, transformam-se rapidamente em glicose, o que pode, no futuro, dar origem a inúmeros problemas de saúde, como obesidade, “fígado gordo” e diabetes tipo 2. A somar a isso, o excesso de açúcar, compromete, também o sistema imunitário, ao diminuir a capacidade do organismo de resistir a doenças infeciosas e pode causar reações alérgicas, como sinusite, eczema e asma, afetar a visão, os ossos e dentes, a pele e o sono. Pode desencadear o aparecimento de doenças autoimunes e cardíacas e está, até, associado ao eventual aparecimento de células cancerígenas. O seu consumo provoca variações de açúcar no sangue, o que influencia os níveis de cálcio e fósforo e “vicia” a criança.
Iogurtes, papas, bolachinhas e muitos outros ditos saudáveis e supostamente criados especialmente para bebés e crianças, têm, quase todos, grandes quantidades de açúcar – com esse ou outro nome – e não devem ser incluídos na sua alimentação. Convém, também ter cuidado com receitas ditas “saudáveis” para bebés, em que o açúcar é simplesmente substituído por mel, xarope de coco, xarope de arroz, agave, açúcar de coco… todos eles são açúcar.
Ninguém sente falta de algo que nunca provou, a “necessidade” de adoçar a comida do bebé existe apenas na cabeça dos adultos. É importante variar, apostar em “comida de verdade” e apresentar à criança um leque diversificado de alimentos realmente saudáveis.
Durante a infância, a família tem uma enorme responsabilidade, não só no que toca à seleção e oferta dos alimentos, mas também na formação do comportamento alimentar. Cabe, pois aos pais e/ou cuidadores educar a criança nesse sentido e para isso, nada melhor que ver quem a rodeia a comer de forma saudável. Ensine-a a mastigar bem os alimentos, com calma e sem pressas. Isto, por um lado, vai facilitar a absorção dos nutrientes e permitir uma correta digestão dos alimentos e, por outro, vai dar oportunidade ao cérebro de perceber quando está saciado.
Durante a refeição, ofereça apenas água para beber. Sumos artificiais ricos em açúcares e carregados de corantes e conservantes, não só comprometem de forma negativa o apetite da criança, como são um estímulo para aumentar o consumo de produtos com níveis muito elevados de açúcar e rejeitar outro tipo de alimentos mais saudáveis e interessantes a nível nutricional. Mesmo os sumos naturais coados acabam por ter níveis elevados de frutose, pouca ou nenhuma fibra e surtir um efeito semelhante. Muitos pais e cuidadores assumem e passam a mensagem à criança de que beber o sumo equivale a comer fruta, nada poderia estar mais longe da verdade. Opte por oferecer fruta “inteira” à criança durante ou depois da refeição.
É, também, importante não desistir de um determinado alimento só porque a criança o recusa ou faz cara feia, na primeira vez a experimenta. Há que repetir, porque em muitos casos só depois de inúmeras vezes é que esta passa a aceitar e comer. Não force, nem obrigue, mas não desista. Quando aplicável confecione o mesmo alimento de várias maneiras, às vezes pode acontecer a criança não gostar de cenoura cozida, mas adorar cenoura crua, ou não gostar de ovos mexidos, mas achar ovos cozidos deliciosos. Há que dar alguns dias de intervalo e voltar a tentar até conseguir. Óbvio que se depois de várias tentativas continuar a rejeitar pode dar-se de facto o caso da criança não gostar mesmo desse alimento, nós também não gostamos de tudo, temos preferência por certos alimentos e temos outros que não nos agradam. Pode, também, acontecer não gostar agora e daqui a alguns meses ou até mesmo anos começar a gostar – ou o oposto.
Colaborar consigo na seleção e confeção dos alimentos pode ser, entre outras coisas, uma enorme mais-valia no processo de consciencialização e educação alimentar. Além disso, é uma forma divertida de passarem mais tempo juntos e fortalecerem laços. Leve-a às compras, selecionem os alimentos em conjunto e explique por que motivo são uma boa escolha. Inclua a criança na confeção dos mesmos, claro que esta tarefa depende um pouco da idade. No caso de se tratar de uma criança muito nova pode simplesmente brincar com ela ensinando-a a identificar os vários alimentos enquanto os arruma ou enquanto cozinha. Explique os benefícios de cada alimento para a saúde, origem, curiosidades, entre outros.
Acima de tudo, é fundamental, ter calma, paciência, não pressionar e não adulterar a relação da criança com a comida, dando-lhe a possibilidade de criar, desde cedo, uma ligação saudável, equilibrada e consciente com bons alimentos.
Texto da autoria de: Ana S. Guerreiro, Psicóloga, Criadora da Página e Blogue “Mamã Paleo” e Autora do Livro “Dieta Sem Dieta” – um livro para toda a família, repleto de informação, dicas e receitas saudáveis
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