A Inteligência Artificial aplicada aos serviços sociais e de saúde

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O impacto da tecnologia associada à Inteligência Artificial (IA) nos negócios e nas organizações já não é algo distante ou uma utopia futura. Assistimos, hoje em dia, ao aumento da procura de muitas empresas de sistemas de IA que congreguem as múltiplas tecnologias disponíveis, sobretudo a capacidade de gestão de dados e a possibilidade de definição de métodos preditivos.

No mundo dos negócios as áreas das empresas que o impacto da aplicação da IA mais se faz sentir são a gestão das pessoas, Marketing e Vendas e os departamentos de Tecnologias de Informação (TI)[1]. Contudo a aplicação da IA é hoje cada vez mais utilizada de forma transversal e o sector social e de saúde é também desafiado à integração das novas tecnologias.

Impacto da IA nos Serviços Sociais e de Saúde

Nos serviços sociais e de saúde a IA começa a ganhar terreno. Segundo o estudo feito pela Accenture, a utilização de IA nos serviços sociais e de saúde provoca um aumento de 20,04% e de 20,4% nos volumes de faturação. Estes não são os serviços onde a utilização de IA provoca um maior impacto em termos de taxa de aumento da receita[2]. Contudo, o mesmo estudo prevê que até 2035 a utilização da IA nos serviços de saúde e sociais provoque um aumento dos lucros em 55% e 46% respetivamente ocupando a 5º e 7º posição entre os 16 sectores de atividade estudados. Daqui se concluiu que a aplicação da IA aos sectores sociais e de saúde trará consigo a promoção da eficiência dos processos e da melhoria dos serviços.

Limitações e Benefícios da Utilização de IA nos Serviços Sociais e de Saúde

Considero existirem neste momento duas limitações a uma aplicação mais rápida de tecnologia da IA à área social e de saúde, mas que tendem a ser reduzidas no futuro com base na constatação dos benefícios que aporta.

Em primeiro lugar, a perspetiva do preconceito da interação pessoal ser feita com uma máquina e não com outra pessoa em termos de demonstração de afeto e sinais corporais necessários para a relação interpessoal como sejam o calor, o toque de pele e o tacto. Esta é a postura defendida por uma visão mais restrita das ciências sociais. Face a isto não podemos deixar de referir que a máquina não vem substituir a pessoa, mas antes “estender a realidade”.

Em segundo lugar encontramos limitações técnicas como sejam o desenvolvimento dos hardwares, em termos de aspeto e movimentos bem como a existência de big data em termos de variáveis sociais e de saúde.

Os robots podem ajudar no que se refere à interação com as pessoas isoladas e contribuir, não só para a sua estimulação sensorial e cognitiva, como também nos sinais de alerta que podem ir desde lembrar a hora da toma da medicação ao acionar a comunicação de uma linha de telefónica de emergência para a prestação de cuidados de socorro.

Uma outra aplicação da IA ao campo dos serviços de saúde está na criação de produtos de apoio[3] “inteligentes” – capazes de entrever as necessidades dos doentes. Está a emergir atualmente a robótica associada à construção e desenvolvimento de próteses e ortóteses, sobretudo as relacionadas com a substituição de membros inferiores ou superiores por deficiência congénita ou fruto de uma amputação.

Existe ainda um longo caminho a fazer no desenvolvimento das tecnologias de IA aplicadas aos serviços sociais e de saúde, mas é já patente que também aqui a sua utilização trará uma disrupção nos modelos de intervenção e na interação homem-máquina. Será necessário que as áreas sociais e de saúde se abram à inclusão da IA aplicadas à promoção de soluções para os problemas detetados e futuros. E, sempre que esses problemas não sejam possíveis de ser solucionados, sejam utilizadas as tecnologias de IA como meio para a sua compreensão e controlo.

[1] Cf. Colocar a inteligência artificial ao serviço dos negócios, https://www.jornaldenegocios.pt/transformacao-digital/gestao—administracao/detalhe/colocar-a-inteligencia-artificial-ao-servico-dos-negocios; Acedido a 22/04/2018

 [3] Por produtos de apoio entende-se todos os aplicativos de utilização externa que promovem a autonomia e/ou funcionalidade da pessoa, em todos os domínios sensitivos e locomotores . Exemplo cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, óculos (incluindo 3 dimensões e realidade virtual), entre outros.

Texto da autoria de: Juvenal Baltazar, Diretor da Ação Social da Fundação AFID Diferença

Atualizado em 19-Dez-2018 | Partilhar:

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