“O Caminho faz-se Caminhando”, como diria Fernando Pessoa. “Faz-se caminhando, porque não há caminho, porque este só se faz ao caminhar”, palavras de António Machado, poeta Espanhol.
A caminhada da AFID apesar de curta tem sido difícil, mas consequente e com sucesso. Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente – AFID – completou, em março de 2017, 32 anos de existência. Durante este período, a AFID tem vindo a desenvolver uma atividade de intervenção social de qualidade, pensando sempre nos outros e trabalhando para os diferentes públicos que apoia.
Ao longo destes 32 anos, houve momentos que marcaram indelevelmente a vida da AFID, que não posso deixar de aqui relevar.
O primeiro passo nesta caminhada…
O primeiro momento coincide com o seu nascimento. Fundada em 1985, por um grupo de Pais e Técnicos, constituindo os associados fundadores, desenvolveu a sua actividade nos primeiros sete anos de vida, assente em atividades de Sensibilização para a Problemática da Deficiência em escolas, hospitais, entidades oficiais e de outras entidades ou grupos representativos da sociedade Portuguesa numa óptica exclusiva de Representatividade das Famílias com Pessoas com Deficiência no seu agregado familiar – era necessário criar situações facilitadoras de Integração Social das Pessoas com Deficiência na Sociedade.
Foi um período marcante para a AFID na defesa e promoção dos direitos das Pessoas com Deficiência e das suas Famílias, papel que hoje ainda desenvolvemos junto de um leque mais alargado de entidades e de Parceiros.
O segundo momento
O segundo momento coincide com a decisão de alargamento da intervenção Social da AFID à Prestação de Serviços, na área da Reabilitação. Em 1992, um grupo de associados, maioritariamente Pais, sentiram a necessidade de complementar as atividades de Representatividade na AFID com a prestação direta de serviços, na área da Deficiência.
Naquela altura, muitos dos jovens com Deficiência que se encontravam integrados em Escolas de Educação Especial e em outras instituições, que completavam 18 anos e não conseguiram adquirir competências educacionais e profissionais que lhes poderiam permitir avançar nas áreas académica e profissional, estavam na iminência de ficarem sem qualquer apoio porque tinham de sair dos estabelecimentos de ensino onde se encontravam, ao mesmo tempo que as suas famílias se mostravam cada vez mais incapacitadas de os apoiar.
Sem recursos financeiros, humanos e materiais, a AFID conseguiu criar a sua primeira estrutura de resposta, em dezembro de 1994, em Alfragide, Amadora – um equipamento social integrado para Pessoas com Deficiência, constituído por uma Unidade Residencial e um CAO – Centro de Atividades Ocupacionais – através da aprovação de um projeto apresentado ao então Comissariado da Luta Contra a Pobreza da zona Sul.
A AFID começa a crescer
O terceiro momento que marcou a AFID coincidiu com o Crescimento significativo da AFID, como Instituição Prestadora de Serviços na área da Reabilitação. Em 1999, inaugurámos o Centro Social e de Reabilitação do Zambujal, um Grande Equipamento Social, que hoje é sede da Fundação AFID Diferença, e que congrega vários serviços e respostas sociais. Quintuplicámos o número de pessoas com Deficiência em atendimento, passando de 20 para 100 pessoas, honrando aquele que é hoje o nosso lema: A AFID é uma porta aberta à diferença!
Crianças e idosos
O quarto marco foi o alargamento da Intervenção Social da AFID à Infância e aos Idosos. Em 2001 e a convite do Senhor Presidente da Câmara Municipal da Amadora, passámos a gerir o CRZ – Centro de Recursos do Zambujal –, equipamento social localizado na Amadora, com intervenção na Infância, através da gestão de uma Creche e de um então Jardim-de-Infância, hoje Resposta Social de Pré-Escolar, de um Centro de Dia e de um Serviço de Apoio Domiciliário para Idosos. Foi um período de novas aprendizagens, novos desafios e experiências, realizadas com sucesso.
Nascimento da Fundação AFID Diferença
O quinto momento importante da AFID foi a criação da Fundação AFID Diferença. Em 2005, e porque as questões da Representatividade voltaram a ser exigentes e a prestação de Serviços cresceu exponencialmente na vertical (número de utentes apoiados – mais de 500 em todas as áreas) e na horizontal (diversificação de áreas de intervenção), foi decidido pela Assembleia Geral da Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente – AFID criar uma Fundação que veio a denominar-se Fundação AFID Diferença, tendo-se dividido e especificado as intervenções. A Prestação de Serviços passou para a competência da Fundação AFID Diferença, a Representatividade e o trabalho de Inclusão Social, de que são exemplo a criação das Empresas de Inserção Social, permaneceram na responsabilidade da Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente – AFID.
Foi assim, reposta a função inicial de Representatividade das Famílias com Pessoas com Deficiência no seu agregado Familiar, estabelecida pelos Associados fundadores da AFID, facto este que ocorreu após termos percorrido um trajecto de grande visibilidade pública, de trabalho de intervenção de qualidade que granjeou credibilidade e notoriedade, de que nos orgulhamos.
Capacitação e Qualificação dos serviços da Fundação AFID Diferença
O sexto momento coincide com a Capacitação e Qualificação dos serviços da Fundação AFID Diferença. Iniciada na Associação, os processos de Capacitação e Qualificação dos Serviços Prestados começaram cedo, em 2002, obtendo-se, em 2007, a Certificação de Qualidade no âmbito da Norma ISO 9001. Fomos a primeira Instituição da área Social do País a obter a Certificação em termos de Qualidade em todos os seus Serviços e Respostas Sociais.
Intervenção qualificada
O sétimo momento tem um significado muito especial para a AFID, pois marca a intenção de se diferenciar ainda Mais no Setor Social, através da intervenção qualificada. Em 2010, submetemo-nos às Auditorias de Concessão do Referencial Europeu EQUASS, Nível Excellence, cuja certificação ocorreu em 21 de janeiro de 2011, e dos Referenciais da Segurança Social, Nível A “Excelência dos Serviços Prestados”. Passámos a ser certificados por 3 Normas de Qualidade – ISO 9001; Referencial ISS – Nível A; EQUASS, Nível Excellence -, certificações que hoje ainda mantemos.
Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) do edifício Geração
O oitavo momento coincide com mais um alargamento na intervenção social, desta vez na área dos Idosos, com a criação de um novo equipamento social constituído por uma ERPI – Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, com a particularidade de ser um equipamento intergeracional, pois integra uma Creche para crianças dos quatro meses aos três anos.
Este novo equipamento social alargou, de novo, o espetro da intervenção da AFID na área dos Idosos, com a criação da área Residencial para Pessoas Idosos, ao mesmo tempo que aumento o número de utentes nas respostas de ERPI, SAD e Creche.
Uma figura notável, Dr.ª Lutegarda Justo
O nono momento acontece em 2016 com o falecimento da Dr.ª Lutegarda, assessora da Administração e Diretora da Ação Social da Fundação AFID Diferença, e Diretora da Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente – AFID. O desaparecimento desta notável mulher, mãe e profissional criou na AFID um vazio, rapidamente preenchido pela Direção, Equipa Técnica e restantes Colaboradores, através de respostas eficazes e eficientes na intervenção, recordando a pessoa e mantendo viva a sua obra, dando força a todos para se ultrapassar este grave acontecimento.
Assente na Luz inspiradora cultivada pela Dr.ª Lutegarda, a AFID não só manteve o seu quadro de intervenção nas áreas da Deficiência, Infância e Idosos como redobro os projetos em mão tendo ganho alguns deles (BPI Capacitar em 2016 e o BPI Sénior em 2017), obteve os Selos de Excelência no Voluntariado (1.ª Instituição a consegui-lo) e o Selo da Diversidade na Categoria 5 (1.ª Instituição do 3º Setor a consegui-lo) e aumento o número de utentes na generalidade das Respostas Sociais e Serviços, destacando-se o CRI que quase duplicou o número de Agrupamentos Escolares com protocolos com a AFID e quase triplicou o número de utentes em atendimento.
Como Presidente da AFID e por ter sido um dos elementos que conduziu a Instituição a este patamar, quero agradecer a todos quantos contribuíram, directa e indirectamente, para que este sonho se tornasse realidade.
Um Muito Obrigado a Todos, Domingos Rosa.
“CAMINHA NA DIRECÇÃO DO SOL E NÃO VERÁS A SOMBRA”
(Helen Keller).
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